quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

QUINA : CONCURSO 3.380

LOCAL:OSASCO/SP
SORTEIO REALIZADO EM ESTÚDIO DE TV.
DIA: QUINTA-02/01/2.014- 20:00 hs

20-52-53-55-66
Quina 1 2.176.932,16
Quadra 88 5.643,76
Terno 6.159 115,19

Ganhadores por estado
UF
BA 1
CRUZ DAS ALMAS 1

LOTERIA FEDERAL: EXTRAÇÃO 4.828

DIA: QUINTA-02/01/2.014- 19:00 hs

SÉRIE DE 96.000 BILHETES
1º)= 00.529 - 250.000,00 - O BILHETE GANHADOR DO PRIMEIRO PRÊMIO FOI DISTRIBUÍDO CURITIBA/PR.


2º)= 04.695 - 17.100,00

3º)= 86.097 - 16.600,00

4º)= 79.823 - 16.100,00

5º)= 34.185 - 15.200,00

Portaria ministerial com detalhes da migração das AMs é esperada para o começo do ano


Brasília – Documento deve ditar as regras para as emissoras que irão para o espectro FM

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Radiodifusores proprietários de rádios AM locais estão na expectativa da publicação da portaria ministerial sobre a migração para o espectro FM. O documento deve ser publicado já no início de 2014 e deve trazer detalhes sobre o enquadramento, valores e outros itens aos interessados. O decreto de migração das AMs para o FM foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff em novembro e publicado no Diário Oficial da União.

Mesmo ainda sem a portaria ser publicada, vários detalhes sobre a migração já foram revelados desde a assinatura do decreto. Apenas rádios categorizadas como Local serão obrigadas a migrar para o dial FM, ou então devem solicitar o seu enquadramento para Regional. Tanto as ditas Regionais como as Nacionais não serão obrigadas a migrar, podendo, inclusive, renovar suas concessões normalmente.

A Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo (Aesp) realizou um evento no início de dezembro, em que fez um prognóstico dos custos que o radiodifusor de uma rádio AM deve ter caso queira migrar para o FM. O levantamento foi apontando pelo engenheiro Alexandre Boareto, da EMC Soluções em Telecomunicações.

De acordo com o engenheiro, uma emissora AM de classe C, que opera entre os canais AM 1110 e AM 1610 irão para a classe C em FM. Para a mudança, o engenheiro estima que a emissora irá arcar com custos entre R$ 179 mil a R$ 309 mil. Já as emissoras que operam entre os canais AM 820 a AM 1100 (classe C), já irão para a classe B2 em FM. Os custos com sistema irradiante, transmissão e estúdios, nesse caso, devem girar em torno de R$ 182 mil a R$ 312 mil.

Vale ressaltar que neste valor não está incluído a diferença que o proprietário deverá desembolsar em relação à concessão. O valor deve ser divulgado com a publicação da portaria ministerial, assim como outros detalhes.

No quotidiano do Vaticano, uma página sobre a teologia da mulher

O suplemento mensal da edição italiana do jornal do Vaticano “L’Osservatore Romano”, “Mulher, Igreja, Mundo” passará a partir de 2014 a trazer uma página adicional dedicada exclusivamente ao aprofundamento – várias vezes desejado pelo Papa Francisco – da teologia da mulher, por forma a definir melhor o lugar e o papel da mulher na vida da Igreja.

A historiadora italiana, Lucetta Scaraffia, responsável pelo suplemento, explica no editorial do número que sairá a 2 de Janeiro, que “todos os meses um teólogo ou uma teóloga desenvolverá nessa página adicional as suas considerações sobre esta questão que permanece aberta e que é central na Igreja de hoje, enriquecendo, deste modo, o debate acerca da mulher na Igreja”.

As restantes quatro amplas páginas do suplemento mensal, são dedicadas, neste mês de Janeiro, à Família, tema fundamental nas reflexões do mundo católico e em vista da preparação do Sínodo dos Bispos sobre esta temática a ser realizado no Vaticano em Outubro de 2014.

Foto 1 - Papa Francisco sauda uma enfermeira do Hospital "Bambino Gesù" - Roma
Foto 2 - Lucetta Scaraffia

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Leitura (1 João 2,22-28)

DIA 2 DE JANEIRO - QUINTA-FEIRA
SANTOS BASÍLIO E GREGÓRIO
BISPOS E DOUTORES


Antífona da entrada: Velarei sobre as minhas ovelhas, diz o Senhor; chamarei um pastor que as conduza e serei o seu Deus (Ez 34 11.23s).
Oração do dia

Ó Deus, que iluminastes a vossa Igreja com o exemplo e a doutrina de são Basílio e são Gregório Nazianzeno, fazei-nos buscar humildemente a vossa verdade e segui-la com amor em nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 João 2,22-28)

Leitura da primeira carta de são João.
2 22 Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho.
23 Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Todo aquele que proclama o Filho tem também o Pai.
24 Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, permanecereis também vós no Filho e no Pai.
25 Eis a promessa que ele nos fez: a vida eterna.
26 Era isto o que eu vos tinha a escrever a respeito dos que vos seduzem.
27 Quanto a vós, a unção que dele recebestes permanece em vós. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei nele, como ela vos ensinou.
28 E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando aparecer, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele, na sua vinda.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 97/98

Os confins do universo contemplaram
A salvação do nosso Deus.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
Porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
Alcançaram-lhe a vitória.

O Senhor fez conhecer a salvação
E, às nações, sua justiça;
Recordou o seu amor sempre fiel
Pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
A salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
Alegrai-vos e exultai!
Evangelho (João 1,19-28)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Depois de ter falado, no passado, aos nossos pais, pelos profetas, muitas vezes, em nossos dias Deus falou-nos por seu Filho (Hb 1,1s).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
1 19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: “Quem és tu?”
20 Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: “Eu não sou o Cristo”.
21 “Pois, então, quem és?”, perguntaram-lhe eles. “És tu Elias?” Disse ele: “Não o sou. És tu o profeta?” Ele respondeu: “Não”.
22 Perguntaram-lhe de novo: “Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?”
23 Ele respondeu: “Eu sou a voz que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como o disse o profeta Isaías”.
24 Alguns dos emissários eram fariseus.
25 Continuaram a perguntar-lhe: “Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?”
26 João respondeu: “Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis.
27 Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado”.
28 Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho

UMA DEFINIÇÃO DE IDENTIDADE
João Batista teve sua parcela de colaboração no projeto de Deus, com uma tarefa aparentemente simples: anunciar a chegada do Messias e predispor o povo para acolhê-lo. Contudo, defrontou-se com sérias dificuldades. A maior delas tocava sua identidade de Precursor. Sua figura ascética levava as pessoas a tomá-lo por Messias. Ele, porém, se esforçava para explicar não ser o Cristo, nem pretender sê-lo, reconhecendo-se apenas como uma voz clamando para que as pessoas se preparassem para a vinda do Messias.
João definia sua identidade confrontando-se com o Messias, que ele nem conhecia. Tinha consciência da superioridade daquele que viria depois dele. Por isso, na sua humildade, reconhecia não ser digno nem mesmo de curvar-se para desatar-lhe as correias da sandálias. Essa consciência mantinha-o livre da tentação de usurpar uma posição que não lhe pertencia.
O realismo de João não o impedia de realizar seu ministério com simplicidade. Ele não era um concorrente do Messias. Não agia por iniciativa própria; apenas fazia o que lhe fora pedido por Deus. Seu compromisso com ele impedia-o de extrapolar os limites do seu ministério. Sua figura só tinha importância por causa do Messias que estava para vir.
Foi a humildade de João que fez dele um grande homem, pois a verdadeira grandeza consiste em reconhecer a própria indignidade diante do Pai e colocar-se a serviço dele.

Oração
Senhor Jesus, ensina-me a servir ao Pai e a ti, com simplicidade de coração, reconhecendo minha pequenez.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas

Olhai com bondade, ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer em vosso altar na festa de são Basílio Magno e são Gregório Nazianzeno, para que, alcançando-nos o perdão, glorifique o vosso nome. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Não fostes vós que me escolhestes, diz o Senhor. Fui eu que vos escolhi e vos enviei para produzirdes frutos, e o vosso fruto permaneça (Jo 15,16).
Depois da comunhão

Alimentados pela eucaristia, nós vos pedimos, ó Deus, que, seguindo o exemplo de são Basílio e são Gregório, procuremos proclamar a fé que abraçaram e praticar a doutrina que ensinaram. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTOS BASÍLIO E GREGÓRIO)

Santo Basílio

Basílio nasceu em Cesaréia da Turquia, antiga Capadócia, no ano 329. Pertencia a uma família de santos. Seu avô morreu mártir na perseguição romana. Sua avó era Santa Macrina e sua mãe, Santa Amélia. A irmã, cujo nome homenageia a avó, era religiosa e se tornou santa. Também, seus irmãos: São Pedro, bispo de Sebaste e São Gregório de Nissa, e seu melhor amigo São Gregório Nazianzeno, são honrados pela Igreja.

Basílio estudou em Atenas e Constantinopla. Mas, foi sua irmã Macrina que o levou para a vida religiosa. Ela havia fundado um mosteiro onde as religiosas progrediam muito em santidade. Basílio decidiu ir para o Egito aprender com os monges do deserto este modo de viver em solidão. Voltou, se consagrou monge e escreveu suas famosas "Constituições", a primeira Regra de vida espiritual destinada aos religiosos. Neste livro se basearam os mais famosos fundadores de comunidades ao redigir os Regulamentos de suas Congregações. Basílio foi eleito bispo de Cesaréia, e nesta época o representante do Império tentou fazer com que ele renegasse a Fé, mas ele não o fez. Mesmo tendo a saúde muito frágil, Basílio o enfrentou com um discurso tão eloqüente, que este representante desistiu de castigá-lo, percebendo sua admirável santidade e porque já era venerado pelo povo.

Por sua oratória maravilhosa, seus admiráveis escritos e suas inúmeras obras de assistência,
que fez em favor do povo, foi chamado "Basílio Magno". Era amado por cristãos, judeus e pagãos. Além de sua arrebatadora eloqüência, Basílio mantinha uma intensa atividade em favor dos pobres. Doava tudo o que ganhava à eles. Foi o primeiro bispo a fundar um hospital para aos carentes e depois criou asilos e orfanatos.

Muito culto e profundo conhecedor de teologia, filosofia e literatura, seus sermões são repletos de citações da Sagrada Escritura. Escreveu seus textos de maneira agradável, clara, profunda e convincente, dentre os quais, cerca de quatrocentas cartas de rara beleza e de proveitosa leitura para a alma.

Seu pensamento era: depois do amor à Deus, ajudar, e fazer os outros ajudarem, os pobres e marginalizados.Trabalhava e escrevia sem cessar, apesar da saúde débil. Sofrendo de hepatite, quase não podia se alimentar, a ponto de sua pele tocar os ossos.

Morreu em 1o. de janeiro de 379, com apenas quarenta e nove anos e foi sepultado no dia seguinte, seguido por uma multidão como nunca acontecera naquela região. Seu amigo de vida e de fé, São Gregório Nazianzeno, também comemorado nesta data; disse no dia do enterro: "Basílio santo, nasceu entre os santos. Basílio pobre viveu pobre entre os pobres. Basílio, filho de mártires, sofreu como um mártir. Basílio pregou sempre; com seus lábios e com seus exemplos, e seguirá pregando sempre com seus escritos admiráveis".

A Igreja autorizou o seu culto, que foi mantido conforme a tradição, no dia 2 de janeiro, dia em que foi sepultado.

Santo Gregório Nazianzeno
Gregório nasceu no ano 329, numa família muito devota, na Capadócia, atual Turquia. Seu pai foi eleito bispo da cidade de Nazianzo e teve o cuidado para que seu filho fosse educado nas melhores escolas e academias da Antiguidade. Desde pequeno demonstrava um forte temperamento místico e inclinação para a vida de monge.

Ele passou quase dez anos em Atenas como estudante, onde cultivou uma fiel amizade com São Basílio, cujo culto também se comemora hoje. Durante este período desenvolveu, de vez, sua capacidade para a poesia, literatura e retórica. Não cedendo à tentação de viver entre a frivolidade de oradores e filósofos, ao contrário, se aprimorou numa profunda vida religiosa, junto com seu fiel amigo.

Ao regressar a Nazianzo recebeu o Batismo das mãos de seu próprio pai e, mais tarde, a Ordem sacerdotal para poder ajuda-lo na pastoral da sua diocese. Como estava vaga a diocese de Sásimos, na Ásia Menor, o então bispo São Basílio o consagrou à dignidade episcopal desta sede. Tornou-se um famosíssimo orador e teólogo sendo muito perseguido pelos arianos. Por isto, preferiu desistir da vida episcopal e se recolher num mosteiro onde se dedicava inteiramente às orações, à meditação, ao estudo do Evangelho.

Em virtude de sua grande erudição teológica e seus claros conhecimentos sobre a discutida cristologia dos primeiros tempos, foi escolhido para ser o bispo de Constantinopla. Neste caso, mesmo sob pressão dos inimigos, Gregório aceitou ser declarado patriarca desta metrópole e nesta posição presidiu o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja alí sediado em 381, que triunfou a doutrina da Santíssima Trindade ortodoxa, ou seja, reconheceu a divindade do Espírito Santo.

Mesmo com seu caráter demasiado sensível, suportou as dificuldades da administração de uma diocese. Mas as perseguições arianas foram tantas que novamente se viu obrigado a abdicar do cargo, voltando para sua solidão de monge, para o trabalho literário, ao exercício de meditação e aos mistérios de Deus.

Gregório morreu no ano 390. Dentre o seu legado encontramos quase cinqüenta sermões e duzentas e quarenta e quatro cartas, que tratam, em especial, sobre a verdadeira divindade do Espírito Santo e da santidade da Virgem Maria como Mãe de Deus.

Sua inspiração poética também nos presenteou com cerca de quatrocentos poemas. Seus sermões e escritos deixaram um tesouro de testemunho ortodoxo, em um tempo de muita confusão e luta interna na Igreja de Roma.

A Igreja o incluiu no Calendário dos Santos mantendo seu culto no dia 2 de janeiro, como sempre foi venerado. São Gregório de Nazianzeno junto com São Basílio Magno, e o irmão mais novo deste, chamado de São Gregório de Nissa, receberam o título de "Os três capadócios".

Dom Parolin: "Quando fui convidado para o cargo fiquei surpreso e um pouco embaraçado"

Cidade do Vaticano (RV) – O Arcebispo Pietro Parolin, em entrevista ao canal Tg1, nesta terça-feira (31), declarou que quando o Papa Francisco o convidou para o cargo de Secretário de Estado, sentiu-se “surpreso e um pouco embaraçado”. O Santo Padre no entanto “me ajudou com sua serenidade”, observou.

Perguntado sobre como lhe foi feito o convite para assumir esta delicada responsabilidade, Dom Parolin disse que o Papa usou palavras simples: “Você que me ajudar?”.

Falando sobre os desafios do cargo, o Secretário de Estado salientou que pretende trabalhar “com espírito de fé e de serviço, mesmo porque - acrescentou, recordando o discurso do Santo Padre à Cúria -, é necessário fazer como ele pediu: “espírito de serviço, profissionalismo e santidade de vida”.

Olhando para o futuro, Dom Parolin explicou que “O Papa já deu algumas indicações importantes para o futuro. Agora, se deve trabalhar para realizá-las”. (JE)




Libertado sacerdote francês sequestrado na República dos Camarões

Laundê (RV) – O sacerdote francês Georges Vandenbeusch, sequestrado em 14 de novembro passado na sua Paróquia em Nguetchewe, norte do país, a 30 km da fronteira com a Nigéria, foi libertado na noite do último dia 30.

O sacerdote retornou à França na manhã desta quarta-feira, 1° de janeiro, chegando no aeroporto militar de Vélizy-Villacoublay, onde foi recebido pelo Presidente François Hollande, familiares e religiosos. As circunstâncias exatas da libertação, assim como a identidade dos seqüestradores não foram reveladas, mas as suspeitas recaem sobre milícias islâmicas atuantes na região.

A Santa Sé expressou satisfação pela libertação do sacerdote. Em particular, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, convidou a rezar por todas as outras pessoas mantidas reféns e sequestradas em todo o mundo. (JE)




Paz e Fraternidade

Rio de Janeiro (RV) - Sob a ótica da fraternidade o Papa Francisco envia para o mundo, na solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, ao iniciar um novo ano, a sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz.

A alegria e a esperança devem, segundo o Papa Francisco, ser o binário para vivermos a fraternidade individual e coletiva no mundo.

Ensina o Papa que: "a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe.

Ciente da importância dos meios de comunicação diz o Papa que "vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros. Contudo, ainda hoje, esta vocação é muitas vezes contrastada e negada nos fatos, num mundo caracterizado pela «globalização da indiferença» que lentamente nos faz «habituar» ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos".

Neste tempo de mudança de época é importante ressaltar que a dinâmica da solidariedade, da partilha e da fraternidade parecem estar fora de moda. Calaram profundamente no coração dos católicos os três conselhos repetidos pelo Papa Francisco no domingo da Sagrada Família, como três tesouros a serem vividos como regras básicas de vivência e de convivência familiar: "dá licença, obrigado, perdão". Quando em uma família não se é um intruso e se pede “com licença”, quando em uma família não se é egoísta e se aprende a dizer “obrigado”, e quando em uma família alguém se dá conta que fez uma coisa errada e pede “perdão”, então nesta família existe paz e alegria. Neste ponto, o Pontífice encorajou as famílias a tomarem consciência da importância que tem na Igreja e na sociedade. “O anúncio do Evangelho – disse o Papa -, passa de fato, antes de tudo, através das famílias para depois, chegar até aos diversos âmbitos da vida diária”.

O Papa Francisco denunciou a guerra silenciosa que em muitas partes do mundo se tem propagado contra o direito à prática religiosa. Denunciou os tráficos humanos e as suas muitas facetas, as guerras armadas, e "às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos econômico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas. A globalização, como afirmou Bento XVI, torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos. As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência duma cultura de solidariedade. As novas ideologias, caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados «inúteis». Assim, a convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des pragmático e egoísta".

"Uma verdadeira fraternidade entre os homens supõe e exige uma paternidade transcendente. A partir do reconhecimento desta paternidade, consolida-se a fraternidade entre os homens, ou seja, aquele fazer-se «próximo» para cuidar do outro".

O Papa Francisco pergunta "onde está o teu irmão?". "Para compreender melhor esta vocação do homem à fraternidade e para reconhecer de forma mais adequada os obstáculos que se interpõem à sua realização e identificar as vias para a superação dos mesmos, é fundamental deixar-se guiar pelo conhecimento do desígnio de Deus, tal como se apresenta de forma egrégia na Sagrada Escritura. Segundo a narração das origens, todos os homens provêm dos mesmos pais, de Adão e Eva, casal criado por Deus à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26), do qual nascem Caim e Abel. Na história desta família primigénia, lemos a origem da sociedade, a evolução das relações entre as pessoas e os povos. Abel é pastor, Caim agricultor. A sua identidade profunda e, conjuntamente, a sua vocação é ser irmãos, embora na diversidade da sua atividade e cultura, da sua maneira de se relacionarem com Deus e com a criação. Mas o assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos. A sua história (cf. Gn 4, 1-16) põe em evidência o difícil dever, a que todos os homens são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros. Caim, não aceitando a predileção de Deus por Abel, que Lhe oferecia o melhor do seu rebanho – «o Senhor olhou com agrado para Abel e para a sua oferta, mas não olhou com agrado para Caim nem para a sua oferta» (Gn 4, 4-5) –, mata Abel por inveja. Desta forma, recusa reconhecer-se irmão, relacionar-se positivamente com ele, viver diante de Deus, assumindo as suas responsabilidades de cuidar e proteger o outro. À pergunta com que Deus interpela Caim – «onde está o teu irmão?» –, pedindo-lhe contas da sua ação, responde: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Depois – diz-nos o livro do Gênesis –, «Caim afastou-se da presença do Senhor» (4, 16). É preciso interrogar-se sobre os motivos profundos que induziram Caim a ignorar o vínculo de fraternidade e, simultaneamente, o vínculo de reciprocidade e comunhão que o ligavam ao seu irmão Abel. O próprio Deus denuncia e censura a Caim a sua contigüidade com o mal: «o pecado deitar-se-á à tua porta» (Gn 4, 7). Mas Caim recusa opor-se ao mal, e decide igualmente «lançar-se sobre o irmão» (Gn 4, 8), desprezando o projeto de Deus. Deste modo, frustra a sua vocação original para ser filho de Deus e viver a fraternidade".

O Papa Francisco, partindo de sua experiência de viver o que prega, lembra que "o egoísmo diário, que está na base de muitas guerras e injustiças: na realidade, muitos homens e mulheres morrem pela mão de irmãos e irmãs que não sabem reconhecer-se como tais, isto é, como seres feitos para a reciprocidade, a comunhão e a doação". Egoísmo, a meta para ser vencida em todas as relações de 2014.

A mensagem coloca também uma afirmação: "E vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8)" E questiona: "Surge espontaneamente a pergunta: poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?"
"A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens (cf. Mt 6, 25-30). Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa. Em particular, a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o «lugar» definitivo de fundação da fraternidade que os homens, por si sós, não são capazes de gerar. Jesus Cristo, que assumiu a natureza humana para a redimir, amando o Pai até à morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 8), por meio da sua ressurreição constitui-nos como humanidade nova, em plena comunhão com a vontade de Deus, com o seu projeto, que inclui a realização plena da vocação à fraternidade".

A fraternidade é fundamento e caminho para a paz” "A solidariedade cristã pressupõe que o próximo seja amado não só como «um ser humano com os seus direitos e a sua igualdade fundamental em relação a todos os demais, mas [como] a imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da ação permanente do Espírito Santo», como um irmão. «Então a consciência da paternidade comum de Deus, da fraternidade de todos os homens em Cristo, “filhos no Filho”, e da presença e da ação vivificante do Espírito Santo conferirá – lembra João Paulo II – ao nosso olhar sobre o mundo como que um novo critério para o interpretar», para o transformar".

"Reconhece-se haver necessidade também de políticas que sirvam para atenuar a excessiva desigualdade de rendimento. Não devemos esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social, segundo a qual, se é lícito – como diz São Tomás de Aquino – e mesmo necessário que «o homem tenha a propriedade dos bens», quanto ao uso, porém, «não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros".

Por último o Papa nos ensina o desapego: "há uma forma de promover a fraternidade – e, assim, vencer a pobreza – que deve estar na base de todas as outras. É o desapego vivido por quem escolhe estilos de vida sóbrios e essenciais, por quem, partilhando as suas riquezas, consegue assim experimentar a comunhão fraterna com os outros. Isto é fundamental, para seguir Jesus Cristo e ser verdadeiramente cristão. É o caso não só das pessoas consagradas que professam voto de pobreza, mas também de muitas famílias e tantos cidadãos responsáveis que acreditam firmemente que a relação fraterna com o próximo constitua o bem mais precioso".

Falando aos responsáveis pela economia e aos governos adverte o Papa Francisco que: "As sucessivas crises econômicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento econômico e a mudar os estilos de vida. A crise atual, com pesadas conseqüências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza. Elas podem ajudar-nos a superar os momentos difíceis e a redescobrir os laços fraternos que nos unem uns aos outros, com a confiança profunda de que o homem tem necessidade e é capaz de algo mais do que a maximização do próprio lucro individual. As referidas virtudes são necessárias sobretudo para construir e manter uma sociedade à medida da dignidade humana".

O Papa pede o fim das guerras e da disseminação das armas. Diz Francisco que: "desejo dirigir um forte apelo a quantos semeiam violência e morte, com as armas: naquele que hoje considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! Renunciai à via das armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação para reconstruir a justiça, a confiança e esperança ao vosso redor!"

O Papa Francisco condena a corrupção clamando por honestidade, justiça social e transparência, principalmente para vencer o egoísmo. Convida os homens públicos a respeitar a liberdade religiosa. Condena o drama da droga "com a qual se lucra desafiando leis morais e civis, na devastação dos recursos naturais". Deplora a prostituição, o tráfico de seres humanos, os crimes contra os menores, a escravidão e a ilegalidade. Clama por um sistema prisional que recupere os detentos.

Enfim, o Papa pede que a família humana cuide da natureza, que está a disposição do homem que deve administrá-la responsavelmente. O Papa volta o seu olhar ao setor agrícola pedindo “que a fome seja erradicada e que a produção agrícola seja para o uso universal de todos".

A fraternidade deve ser amada, ser descoberta e testemunhada: "Quando falta esta abertura a Deus, toda a atividade humana se torna mais pobre, e as pessoas são reduzidas a objeto passível de exploração. Somente se a política e a economia aceitarem mover-se no amplo espaço assegurado por esta abertura Àquele que ama todo o homem e mulher, é que conseguirão estruturar-se com base num verdadeiro espírito de caridade fraterna e poderão ser instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz".

Sob o legado deixado pelo testemunho do Papa Francisco, contemplando o Cristo Redentor, onde celebrei a missa de “passagem de ano”, de braços abertos abençoando o Rio de Janeiro e o Brasil, invoco a Fraternidade como itinerário para se viver a paz que tanto precisamos e derrotar todas as facetas do mal, da maldade humana em que não nos deixam viver como pede o Evangelho: como irmãos que partilham, que amam, que perdoam, e como Cristo, que não se deixa perder nenhum dos seus filhos. Paz na terra aos homens de boa vontade!

Uma mensagem atual e densa de propostas que marcam este início de ano! “Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que jorra do coração do seu Filho, para levar a paz a todo o homem que viver nesta nossa amada terra.”

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


PLACAR

Quinta-feira,02 de Janeiro de 2.014
Campeonato Pernambucano
Salgueiro x Serra Talhada
Porto x Pesqueira
Vitória x Central
Amistoso:
PSG (Fra) x Real Madrid (Esp)

RESULTADOS QUARTA-FEIRA 01/01/2014

Campeonato Inglês
Swansea 2x3 Manchester City
Arsenal 2x0 Cardiff
Crystal Palace 1x1 Norwich
Fulham 2x1 West Ham
Liverpool 2x0 Hull
Southampton 0x3 Chelsea
Stoke 1x1 Everton
Sunderland 0x1 Aston Villa
West Brom 1x0 Newcastle
Manchester United 1x2 Tottenham
Campeonato Japones
Taça Imperadores
Yokohama M. 2x0 Hiroshima

Oração do Angelus: "Construir uma sociedade mais justa e solidária"!


Cidade do Vaticano (RV) – Após a celebração da Eucaristia da Solenidade da Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, na Basílica Vaticana, o Papa Francisco subiu à terceira loggia do Palácio Apostólico para rezar a oração mariana do Angelus com os milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro e adjacências.

Em sua alocução, a primeira de 2014, o Santo Padre dirigiu a todos as suas felicitações mais cordiais de paz e de bem. Os seus augúrios são os da Igreja! São augúrios cristãos para que reine a paz, a justiça, a liberdade e o amor entre os povos. Assim, o Papa recordou o tema do Dia Mundial da Paz: “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”:

“Na sua base há a convicção de que nós todos somos filhos do único Pai, fazemos parte da família humana e partilhamos o mesmo destino. Disso deriva a responsabilidade de cada um de atuar, para que o mundo se torne uma verdadeira comunidade de irmãos, que se respeitam e aceitam as diversidades e cuidam uns dos outros. Somos chamados a dar-nos conta das violências e injustiças em muitas partes do mundo, que não nos podem deixar indiferentes e imóveis. Todos nós devemos construir uma sociedade mais justa e solidária”.

A seguir, o Santo Padre disse que, hoje, em todas as partes do mundo, os cristãos elevam suas orações para pedir ao Senhor o dom da paz e a força para levá-la a todos os ambientes. Mas, a paz requer também a força da mansidão, da não-violência, da verdade e do amor. Por fim, o Papa exortou:

“Nas mãos de Maria, Mãe do Redentor, coloquemos, com confiança filial, as nossas esperanças. Confiemos a ela o grito de paz das populações oprimidas pelas guerras e as violências, para que a coragem do diálogo e da reconciliação prevaleça sobre as tentações de vingança, de prepotência, de corrupção. Peçamos a Nossa Senhora que o Evangelho da fraternidade, anunciado e testemunhado pela Igreja, possa falar às consciências e abater os muros, que impedem aos inimigos de se reconhecer cristãos”.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco passou a fazer seus agradecimentos, de modo especial ao Presidente da Itália, pelos seus augúrios de fim de ano, e invocar de Deus a bênção para o povo italiano, para que, com a contribuição responsável e solidária de todos, possa olhar o futuro com confiança e esperança.

Depois, o Pontífice expressou sua gratidão também pelas tantas iniciativas de oração e de compromisso pela paz, em todas as partes do mundo, por ocasião do Dia Mundial da Paz. Assim, o Bispo de Roma desejou a todos um “Ano Novo de Paz”, na graça do Senhor e sob a proteção de Nossa Senhora. (MT)




Em 1ª fala do ano, Papa pede menos violência e mais solidariedade


O Papa também rezou a primeira missa do ano no Vaticano nesta quarta
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O papa Francisco pediu nesta quarta-feira mais solidariedade e menos violência no mundo em seu primeiro Angelus do ano, diante de uma multidão de fiéis reunidos na Praça de São Pedro. "Todos nós temos a responsabilidade de trabalhar para tornar o mundo numa comunidade de irmãos que se respeitam, aceitam suas diferenças e cuidam uns dos outros", disse por ocasião do Dia Mundial da Paz celebrado pela Igreja Católica no dia 1º de janeiro.

O primeiro Papa da América Latina também pediu o fim da violência e da injustiça que "não pode nos deixar indiferentes ou imóveis". "É hora de parar na estrada da violência", declarou com veemência, desviando-se do texto preparado com antecedência. "O que acontece no coração da humanidade?", questionou, antes de destacar "a força da bondade, a força não-violenta da verdade e do amor".


Durante a missa de Ano-Novo celebrada na parte da manhã na Basílica de São Pedro, na presença de muitos membros do corpo diplomático junto a Santa Sé, ele também falou de "fome e da sede de justiça e de paz".

Para ele, 2014 deve trazer "um verdadeiro compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva". O Papa também exortou os fiéis a mostrar "força, coragem e esperança" durante o novo que se inicia. Fiel ao estilo familiar que lhe rendeu grande popularidade, o papa Francisco terminou sua oração saudando a multidão sob um sol brilhante com um alegre "bom almoço e bom ano!"

Eleito em março de 2013, após a renúncia histórica de seu antecessor Bento XVI, Francisco fez crescer as esperanças de mudanças na Igreja Católica, abalada por uma série de escândalos, incluindo de pedofilia, e a secularização das sociedades ocidentais. O Papa defende "uma Igreja pobre para os pobres", menos "auto-referencial" (centrada no Vaticano) e mais colegial, dando mais peso para os bispos de todo o mundo.

Francisco deu a tradicional bênção do Angelus da janela de apartamento no Vaticano
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Papa celebra Missa na Solenidade da Santa Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz




Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu nesta manhã de 1° de Janeiro, Dia Mundial da Paz, na Basílica Vaticana, a celebração Eucarística da Solenidade da Santa Mãe de Deus.

Participaram da Santa Missa, inúmeros Cardeais, Arcebispos, Bispos, sacerdotes e uma multidão de fiéis, peregrinos, e turistas, provenientes da Itália e de diversos países do mundo, que superlotaram a Basílica Vaticana e a Praça São Pedro, inclusive até a Avenida da Conciliazione.

Em sua homilia, o Santo Padre partiu da Liturgia do dia, citando uma antiga súplica de bênção, que Deus sugeriu a Moisés, para que fosse transmitida e ensinada à sua posteridade: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz”. E o Papa explicou:

“É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no início de um novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingênua, que imagina melhor o futuro, simplesmente por ser futuro. Esta esperança tem suas raízes precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da proteção amorosa do Senhor e da sua ajuda providencial”.

Os votos contidos nesta bênção, acrescentou o Papa, realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, destinada a ser a Mãe de Deus! É este o título principal e essencial de Nossa Senhora: ele tem um significado de qualidade e de função, que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre reconheceu. Depois, recordou o importante evento, na história da Igreja, o Concílio de Éfeso, que definiu a maternidade divina da Virgem:

“Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, onde se venera a imagem da Mãe de Deus, sob o título de “Salus populi romani”.”

Dizem que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, teriam se reunido diante da basílica, onde estavam os Padres conciliares, e gritavam: “Mãe de Deus!” Desta forma, os fiéis pediam que fosse definido, oficialmente, este título de Nossa Senhora, como reconhecimento da sua maternidade divina. É a atitude sincera dos filhos, que conhecem e ama a sua Mãe. E o Pontífice afirmou:

“Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e, sobretudo, no caminho de fé do povo cristão. A Igreja caminha no tempo... Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria, que coincide com o nosso itinerário de fé. Eis porque sentimos Maria uma pessoa bem próxima de nós! A Mãe de Deus partilhou a nossa condição, trilhou os nossos mesmos caminhos, às vezes difíceis e obscuros, sobretudo o caminho da fé”.

O nosso caminho de fé, disse o Papa, está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus a apresentou a São João como Mãe: “Eis a tua mãe!”. Estas palavras têm o valor de um testamento e dão ao mundo uma Mãe. No Calvário ela mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho e a comunica aos homens. Desde então, Maria se torna fonte de esperança, de alegria e de salvação; a Mãe de Deus se torna nossa Mãe. E o Santo Padre concluiu:

“A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e de disponibilidade à vontade de Deus, ela nos ajuda a traduzir a nossa fé em anúncio jubiloso e sem fronteiras do Evangelho. Assim, a nossa missão será fecunda por ser forjada pela maternidade de Maria”.

Por fim, o Bispo de Roma recomenda aos fiéis confiarem na Santa Mãe de Deus o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz.

Após a celebração da Eucaristia da Solenidade da Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, na Basílica Vaticana, o Papa Francisco subiu à terceira loggia do Palácio Apostólico para rezar a oração mariana do Angelus com os milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro e adjacências. (MT)


Eis a íntegra da homilia:

Amados Irmãos e Irmãs,

A primeira leitura propôs-nos a antiga súplica de bênção que Deus sugerira a Moisés, para que a ensinasse a Aarão e seus filhos: «O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz» (Nm 6, 24-26). É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no início dum novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.

Os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.

Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu.

Lembremos aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura. Mais ainda: é o sensus fidei do santo fiel Povo de Deus, que nunca - na sua unidade - nunca se engana.

Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão. «A Igreja caminha no tempo (...). Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria» (JOÃO PAULO II, Enc. Redemptoris Mater, 2). O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! No que diz respeito à fé, que é o fulcro da vida cristã, a Mãe de Deus partilhou a nossa condição, teve de caminhar pelas mesmas estradas, às vezes difíceis e obscuras, trilhadas por nós, teve de avançar pelo «caminho da fé» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. Lumen gentium, 58).

O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!» (Jo 19, 27). Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a «mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus. A mulher que, nas bodas de Caná da Galileia, dera a sua colaboração de fé para a manifestação das maravilhas de Deus na mundo, no Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho, e comunica-a aos outros com carinho maternal. Assim Maria torna-Se fonte de esperança e de alegria verdadeira.

A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho. Deste modo, a nossa missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria. A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus!